segunda-feira, fevereiro 25, 2002

UMA NOITE NA CASA DOS ARTISTAS

Vocês podem não acreditar, mas eu consigo me teletransportar durante o sono e visito alguns lugares fantásticos. Meu corpo fica lá paradinho enquanto eu passeio. Isso não tem nada a ver com religião ou qualquer crendice, é apenas uma capacidade que tenho desde criança. Quando era pequena, costumava visitar o Sitio do Pica-pau Amarelo (nesse tempo Dona Benta ainda nem tinha e-mail). O Pedrinho era apaixonado por mim, mas eu não dava corda. Até demos um selinho em uma brincadeira de salada mista, mas a cara de raiva da Narizinho foi o suficiente para eu nunca mais repetir aquilo - ela era minha melhor amiga e ainda tinha a Emília para defendê-la.
Certa noite, já pré-adolescente, fui a uma festa no "Peach Pit", um bar bem legal em Beverly Hills. Brandon Walsh estava particularmente chato com seus papos-cabeça e a irmã dele, Brenda, se mostrou insuportável como sempre. Isso foi pouco antes de ela ser banida da série "Barrados no Baile - Beverly Hills 90210", o que me deixou com um certo remorso, porque acho que fui a causadora da saída dela. Dylan MaKay, namorado da mala na época, estava metido em jogadas ilegais e eu contei isso justamente para o boquirroto do Steve Sanders... Bom, o resto da história foi uma tragédia: Steve contou para Kelly Taylor que, em segredo, falou para Donna Martin que, por sua vez, comentou com seu namoradinho David Silver, aí virou fofoca mesmo. Parece que ligaram até para a Andréa Zuckerman, que já estava morando na California e acabara de ter uma filha, Hanna. Resultado: concluíram que o grande mal era a Brenda e ela teve que abandonar o programa com o rabinho entre as pernas, dizendo que ia estudar teatro em Londres, mas nunca se ouviu falar de uma única peça que ela tenha feito. Para o seu lugar, veio Valerie Malone, que eu não conheci pessoalmente, já que depois desta noite, a pedido de Nat, o dono do Peach Pit, evitei voltar ao bar para não criar mais confusão.
Aliás, depois disso, nunca mais fui a lugar algum. Sempre que ia dormir tinha aquela esperança, "será que hoje eu consigo?". E nada. O trauma me fez perder a capacidade de me teletransportar. Até que ontem, sem querer, aconteceu. E adivinhem onde eu passei a noite? Na Casa dos Artistas. O que se vê lá dentro é interessantíssimo, coisas que o SBT jamais ousaria colocar no ar. Graças à ilha de edição, os 12 artistas ficam relativamente protegidos, mas eu vou contar tudo.
A Feiticeira, por exemplo, não mentiu quando garantiu que não tomou bomba para ganhar músculos. O truque é outro. O reservado do banheiro, onde os participantes têm um mínimo de privacidade para não serem flagrados na privada por uma câmera indiscreta, na verdade é uma sala especial onde acontecem algumas transformações e revelações. Tipo aquela cabine telefônica do Superman, saca? Quando a Feiticeira (por favor, parem com esse negócio de chamá-la de Joana!) entra neste cubículo, ela fica magérrima, parece uma etíope. Isso porque ela tira todo o enchimento subcutâneo que usa e revela as formas reais do seu corpo. Ela é proibida pelos médicos-personal trainner-esteticistas de passar 24 horas seguidas com o material, o que a obriga a recorrer ao reservado toda noite.
O gatíssimo Mário Velloso é o mais misterioso da casa, parece meio desconfortável entre os colegas, mas a explicação é simples: lembram que ele é reco do Tio Silvio por ser amigo de três filhas do apresentador? Mentira! Quando entra no reservado, Mário tira a máscara que usa e revela sua verdadeira face. O aspirante a cantor é.... Tchan, tchan, tchan, tchan!!!! Patrícia Abravanel!!!! Depois de ficar famosa como seqüestrada e semi-pastora evangélica, a filha do Tio Silvio insistiu com o pai para participar da casa e conseguiu. Proibida pela produção de revelar sua identidade, ela inventou o disfarce, que pode ir por água abaixo caso ela, travestida de ele, engravide do André Gonçalves. Não é só o Mário que parece, mas não é. Xis também se revela quando vai ao reservado. Sozinho, o rapper costuma fazer batuque com as mãos e cantarolar "Madalena do Jucu", "Devagar, devagarinho" e "Mulheres", para matar as saudades de seu verdadeiro pai, já que na vida real Xis é Martinália, filha de Martinho da Vila!
Lulo usa o banheiro como um portal para passar da Casa dos Artistas para o Big Brother Brasil, onde interpreta o Kléber Bam-Bam. Tiazinha aproveita o espaço para falar com um ser extra-terrestre, ou seja, conversar com ela mesma. O Cigano Igor recorre ao cubículo sempre que precisa pensar, faz sentido. Também descobri que Ellen Roche e Syang são interpretadas pela mesma atriz, quando as duas aparecem juntas é apenas um efeito Ruth-Raquel. No reservado, Syang tira os decalques que usa como tatuagem e vira a cantora do "Qual é a Música?", que volta ao reservado para se tatuar e interpretar a roqueira. Gustavo Mendonça vai de hora em hora ao banheiro, olha seu reflexo na água do vaso sanitário e chora com saudades do irmão Flávio. Cynthia Benini e Mariana Kupfer vão ao local retocar a maquiagem de empada que usam. Saem de lá prontas para passar pelo menos mais 12 horas com aquelas carinhas sem graça.
André Gonçalves é o único que jamais entra no cubículo. Por razões existenciais, religiosas, morais ou sexuais, Sandrinho nunca foi ao local. Especula-se que a produção tenha proibido o rapaz de usar o banheiro comum para não haver risco de os outros participantes engravidarem.

Prometo voltar mais vezes à casa para contar outras novidades a vocês.

segunda-feira, fevereiro 18, 2002

Não se fala mais em Big Brother Brasil neste blog. Com a estréia de Casa dos Artistas 2, o reality show da Globo (que de reality tem muito pouco) está definitivamente relegado a segundo plano. Os 12 novos moradores da Casa já estão vivendo sob os olhares atentos das câmeras de Tio Silvio e agora tudo pode acontecer. Infelizmente, não teremos as loucuras de Narcisa Tamborindeguy na casa, mas o currículo de quem está lá promete. Confiram o perfil de cada participante:

ANDRE GONÇALVES- Ator promissor da nova geração, começou a fazer sucesso na novela Vamp, quando interpretou o vampiro Matosinho. Em "A próxima vitima", fez o homossexual Sandrinho, que namorava com Jefferson. O papel fez tanto sucesso que até hoje acho que ele interpreta o Sandrinho por aí... Mas André ficou realmente famoso como reprodutor: tem uma filha com Tereza Seiblitz e um menino com Myriam Rios. A lista de namoradas do conquistador inclui ainda Renata Sorrah, Alessandra Negrini e Viviane Pasmanter. Dizem as más línguas de um certo vôo da Varig que ele também tentou incluir Pelé nesta lista, mas o Rei do Futebol recusou-se a beijar Sandrinho na boca. André é a grande promessa de sexo na "Casa dos Artistas 2", resta saber quais serão as vitimas do rapaz. Como ele parece não ter preconceito de cor, credo ou sexo, os 11 participantes do programa podem cair na rede do garanhão.

ELLEN ROCCHE - Carreira artística longa e convincente. Apareceu segurando um cachorrinho em um comercial de cerveja, quando não dava uma palavra. Também participou de uma experiência na Internet na qual ficou mais de um mês sendo monitorada diariamente dentro de uma casa, para delírio dos voyeurs on line. Como não tinha companhia na casa, acho que ela também não deu uma palavra. Deu um grande salto na carreira quando passou a participar do "Qual é a Música?", com Tio Silvio, dublando as cantoras no quadro "Leilão de notas musicais". Como só fez mímica, continuou sem dar uma palavra, mas pelo menos já começou a mexer a boca. Na mala que levou para a Casa dos Artistas, há uma calcinha tipo cueca com o sugestivo número 69 desenhado entre dois corações. Ah se o André Gonçalves vê isso!

SUZANA ALVES- A Tiazinha andava mais esquecida do que guarda-chuva em ônibus desde que Luciano Huck transferiu-se para a Globo e abandonou a criatura na Band. Ela ainda fez uma série de ação, "As aventuras de Tiazinha", e gravou dois CDs que devem ter vendido, juntos, cerca de 100 cópias (a família é grande!). Ela voltou às manchetes das revistas de fofoca depois de jurar de pé junto que viu discos voadores. A ex-mascarada ainda diz que tem um vídeo para provar tal fato. A verdade é que ela está apostando todas as suas fichas em sua participação na casa para não ser definitivamente abduzida pelo fracasso. Ela promete depilar todo mundo na casa. O André Gonçalves vai adorar saber disso...

JOANA PRADO- A feiticeira abandonou o véu e apareceu em alguns programas de entrevistas da categoria Z falando de seus projetos para o futuro. Começou a tomar bomba e está quase tão forte quanto o Alexandre Frota. A loura pretende voltar à faculdade de Comércio Exterior, que abandonou no terceiro ano, logo que sair da casa. A participação na casa é uma ótima oportunidade para tentar voltar ao sucesso e para ficar longe das garras do seu ex-namorado-pitboy Vitor Belfort, que luta jiu-jitsu e gosta de praticar o esporte com as namoradas. O livro preferido da loura é "Ninguém é de ninguém", uma ótima deixa para André Gonçalves.

MARIANA KUPFER- Apresentadora do programa Pânico, da Jovem Pan, Mariana se diz fanática por teatro e está investindo em cursos de interpretação para brilhar na TV. Começa a trilhar o caminho do sucesso na Casa dos Artistas, mas vai ter que lidar com a saudade do namorado, por quem jura ser completamente apaixonada. O clima romântico fica claro na mala da moça, que inclui "três blusas de amor e corações". A carência dela pode ser a deixa para André Gonçalves atacar. Dá-lhe!

SYANG- Simone Dreyer Peres adotou o nome artístico de Syang em homenagem ao seu ídolo, o guitarrista do AC/DC Angus Young (o apelido surgiu de uma fusão de seu nome de batismo com o sobrenome do ídolo). Com marca de conhaque no nome, essa guitarrista do De Falla só poderia ser mesmo muito doida. Syang lançou ano passado o livro de contos eróticos "No cio", em que conta suas experiências sexuais e expõe fotos dela com o namorado em momentos íntimos. O sonho da roqueira é ter um programa de TV sobre música, ação e erotismo. Bom, ela já pode fazer o piloto dentro da casa, com a ajuda de André Gonçalves.

CYNTHIA BENINI- A morena já morou no Japão, na China, na Nova Zelândia, na Alemanha, em Portugal, na Itália, na Turquia, nos Estados Unidos... Ufa! Voltou para o Brasil e participou da novela "Laços de Família", acho que ela era atendente da livraria do personagem Miguel, de Tony Ramos. Ela também já apresentou programas em TVs por assinatura. Ela diz não ter ídolos, mas admira Betinho e a Princesa Diana. Cynthia é católica, apesar de não praticar a religião, e diz "ter uma ligação diretamente com Deus". Será que o todo-poderoso livrará a morena das garras do nosso mais famoso reprodutor?

XIS- Marcelo dos Santos é o nome de batismo, mas foi como o rapper Xis que ele conseguiu a fama, depois de lançar a música "Us mano, as mina". Ele participou do CD acústico de Cássia Eller cantando a música "De esquina", mas em compensação também já se misturou com Maurício Manieri. Como se vê, musicalmente ele não é muito confiável. Não é a toa que alguns rappers criticam Xis por acharem que o mano está vendido para a mídia. Pai de uma menina de dois meses e morando com a namorada, Xis é o que se pode chamar de um sujeito-homem, mas incluiu em sua mala para a Casa dos Artistas uma touca de florzinha. Hummmm, sei não, e aí André Gonçalves?

MARIO VELLOSO- Ele é cantor e acaba de lançar um CD, "XXX", mas o que realmente o credenciou para a Casa dos Artistas foi a amizade com as três filhas mais novas de Tio Silvio, Rebeca, Daniela e a seqüestrada Patrícia. Tipo galã, o louro promete arrancar suspiros da mulherada. Mas tem credenciais estranhas, como a mania de embalar cada peça que coloca na mala em saquinhos plásticos (uma a uma!) e o fato de ter começado a carreira de cantor em um bar de Luciano Szafir, que deu a maior força para o galãzinho. Vamos esperar para ver o que Sandrinho tem a dizer do rapaz.

RICARDO MACCHI- Ahahahahahahahahah. Desculpem-me, nunca consigo segurar o riso quando lembro desse cara. Marcado eternamente por sua atuação em "Explode coração", quando interpretou (????) o cigano Igor, Ricardo disse para Silvio Santos que a "Casa dos Artistas" será uma ótima oportunidade para falar: "Fiquei preso a papéis em que quase não tinha fala. Na casa eu vou poder finalmente me mostrar, Silvio". Mas o melhor de tudo é o ídolo de Macchi: Sócrates. Não, não é o ex-jogador de futebol. Também não é aquele macaco do "Planeta dos Macacos". Sim amigos, ele se referiu ao filósofo Sócrates. Aahahahahahahah, desculpem-me, mas não deu para segurar de novo. Além das marcantes participações de TV, Ricardo Macchi participou de várias peças do circuito gay-musical: "Blue Jeans", "Hair" e "Deu Broadway na cabeça". Esse não escapa, Sandrinho!

GUSTAVO MENDONÇA- Um ser estranho, com quatro pernas, quatro braços e duas cabeças ocas. Isso é Gustavo-Flávio Mendonça. Para a Casa dos Artistas, como Tio Silvio precisa de pessoas fisicamente normais e atraentes, os irmãos siameses tiveram que passar por uma operação para se separarem. Gustavo foi o escolhido para participar do programa, mas já adianta que está morrendo de saudades do irmão Flávio, que considera seu ídolo. Acho que o rapaz vai jogar a toalha logo na primeira semana, a não ser que arranje alguém para suprir sua carência. Mais um trabalho para o super Gonçalves!

LULO- Ficou famoso após trabalhar no elogiadíssimo musical "Cazas de Cazuza". Participou da novela "Filhas da mãe", na Globo, e gravou um CD pela SomLivre, "Modernidade". Considerado um artista promissor, Lulo aposta na Casa dos Artistas para consolidar a fama. Parece que vai interpretar o papel de Alexandre Frota, mas às vezes também dá uma pinta de Núbia Ólive. E aí? Só Sandrinho para decifrar esse enigma...

Façam suas apostas!
FRASE DA SEMANA:

"A triatleta Sandra Soldan vai se casar no fim do ano, ela que está noiva do noivo dela." (Ah tá, muito esclarecedor, se não dissessem estaria pensando até agora que ela está noiva do tio...)
De Maurício Torres, durante a transmissão da competição de Fast Thriatlon, para o Esporte Espetacular, em 17 de fevereiro

sexta-feira, fevereiro 15, 2002

CARNAVAL, VERDE-E-ROSA E LÍDIA BRONDI

O carnaval acabou e com ele a minha folga. Por incrível que pareça não estou triste, nada como voltar ao trabalho com o gosto saboroso de um merecido campeonato. Mesmo não sendo uma autêntica foliã, gostei tanto da festa deste ano que já estou contando os dias para chegar a próxima. Tive momentos maravilhosos, como o desfile do bloco Segundo Clichê, em Niterói, no sábado, quando de brincadeira estreei como porta-bandeira, o desfile da Mangueira, na segunda, que assisti pela televisão (enquanto não for convidada para o camarote da Brahma, não vou ao Sambódromo, arquibancada durante 10 horas não dá), o carnaval de rua em Itaipu na terça-feira, com direito a marchinhas do tempo de Chiquinha Gonzaga...
Mas minha festa começou a esquentar mesmo na Quarta-feira de Cinzas, quando rumei para a Rua Visconde de Niterói, no Morro da Mangueira, para estrear no Palácio do Samba. Centenas de pessoas espremidas em uma quadra, repetindo o mesmo samba durante horas e horas, sem tirar o sorriso do rosto um só minuto, sem parar de pular (sambar era impossível naquele aperto). E quem queria ir embora? Eu não queria. Só o que passava pela minha cabeça era continuar ali.
O melhor do meu carnaval, no entanto, não foi nada disso. Na verdade, o melhor aconteceu quando o carnaval já tinha até acabado para todos nós, menos para Amaury Junior. A edição especial do Flash (acho que o programa não tem mais esse nome, mas vou chamá-lo sempre assim, é questão de princípios) da quinta-feira após o carnaval foi uma coleção de entrevistas feitas no camarote da Brahma. Amaury conversou com Ronaldinho, Dado Dolabella, Danielle Winits, Mari Alexandre, Wanderley Luxemburgo... Mas o clímax do programa de entrevistas foi uma não-entrevista. No meio de todas aquelas pessoas ávidas por uma câmera, um take descompromissado deu uma geral no camarote e flagrou a cena: ela sentadinha ao lado do marido, cabelinho cortado acima do ombro, um pouco mais gorda, sorridente. Foram menos de três segundos na tela, mas não tive dúvidas, era Lídia Brondi. Na mesma hora, me veio à memória "Vale Tudo", "Tieta", "Roque Santeiro", novelas da época em que dava gosto ficar em frente à telinha. O sumiço da atriz até agora é mal explicado, falou-se em depressão, síndrome do pânico, desilusão com a carreira, chegaram a dizer que foi o Cássio Gabus Mendes que proibiu a esposa de continuar trabalhando, o que eu duvido. Ela nunca deu explicações.
Esqueci que já era madrugada e troquei alguns minutos de sono pela expectativa de ver Amaury entrevistando a moça. Ele elogiou a decoração do camarote (que estava horrível, como todo ano), levantou a bola de José Victor Oliva, organizador da festa há 12 anos, babou um alto executivo da Audi, falou sobre os seios siliconados de Danielle Winits, descobriu uma tatuagem na batata da perna esquerda de Ronaldinho, apresentou a nova namorada de Carlos Alberto Torres (o casal está junto há quatro anos, mas Amaury insistiu em chamar a moça de nova namorada, então tá, né?), conversou com Dado sobre a separação de Carlos Eduardo Dolabella e Pepita Rodrigues (que aconteceu há mais de 10 anos), chamou Mari Alexandre de chorona... Mas nem se aproximou de Lídia Brondi. A grande novidade do carnaval, uma rara aparição pública da mulher, ótima oportunidade para perguntá-la sobre novos projetos (a pergunta de praxe de Amaury Junior), saber como está o casamento (a segunda pergunta de todas as entrevistas do Flash), se ela pretende voltar a atuar (o que eu queria saber)!!!! Tudo jogado fora, Amaury ignorou solenemente a presença da atriz (ex-atriz).
Fui dormir frustrada. Meu amigo Gustavo disse que viu uma outra edição do programa e, nesta sim, havia uma entrevista com Lídia Brondi. Segundo ele, Lídia não deu uma explicação convincente para o sumiço e disse apenas que está estudando psicologia. Mas, pensando bem, acho que já está tudo explicado. Lidia Brondi largou a carreira de atriz global para não ter que participar da "Pizzaria do Faustão", não ser convidada para apresentar o "Big Brother Brasil" ou coisas piores. Do jeito que a coisa está, vai ter muita gente seguindo o rumo da moça...

quarta-feira, fevereiro 06, 2002

Muito se falou sobre o Big Brother Brasil. Definitivamente, o programa é horroroso, pasteurizado, engessado... Mas temos que bater palmas para a produção do BBB em um ponto: a seleção musical. Nossa, quanta criatividade. Começando pela música de abertura, uma versão feita por Paulo Ricardo e gravada pelo recém-reencarnado RPM (precisa dizer mais alguma coisa?). Sucesso na certa. O melhor, no entanto, é reservado para algumas cenas do programa. No dia em que o franco-angolano recebeu a notícia de que a Polícia Federal iria até a casa intimá-lo a deixar o país, o pobrezinho ficou cabisbaixo, sentado na varanda, enquanto outros brothers participavam de uma maratona de dança perto da piscina. Adivinhem qual era a música? "Clandestino", de Manu Chao: "Solo voy con mi pena / Sola va mi condena / Correr es mi destino / Para burlar la ley / Perdido en el corazon / De la grande babylon / Me dicen el clandestino / Por no llevar papel". Quanta sensibilidade da produção, não?
O ex-brother Caetano, primeiro a sair da casa e protagonista da primeira fofoca do programa depois de se esfregar com a sister Helena durante a maratona de dança, não perdeu o rebolado: fez uma declaração de amor à mulher via satélite para limpar a barra em casa e ficou tudo certo. Um belo dia, quando o marido fidelíssimo estava no quintal sozinho brincando com a cadelinha Mole, com pinta de triste, cara de quem estava sentindo saudades da esposa, a produção teve uma sacada genial, colocou na vitrola "A dois passos do paraíso", da Blitz: "Longe de casa / Há mais de uma semana / Milhas e milhas distante do meu amor / Será que ela está me esperando / Eu fico aqui sonhando / Voando alto bem perto do céu". Não consegui evitar, as lágrimas escorreram pelo meu rosto.
Sinceramente, mais criativo e surpreendente que isso, só mesmo as novelas de Carlos Lombardi e Glória Perez. Já imagino o que está por vir: Wando cantando "Safada" nas cenas calientes de Kléber e Xaiane ("Vem minha safada / vem minha bandida, minha descarada / Eu quero um beijo gostoso dessa boca molhada / Vem matar o desejo desse seu animal"), Ney Matogrosso cantando para André, o ser que diz "não ter sexo" ("Telma eu não sou gay / O que falam de mim são calúnias...")... E eu vou cantar pra subir.
A escolha mais acertada da produção foi a da música que embalou as cenas da cachorrinha Mole andando sozinha pelo quintal: "Eu não sou cachorro não". Pelo que vejo na casa, onde os 12 (agora 11) integrantes não sabem se comunicar a não ser por gritos de falso entusiasmo, onde a questão mais importante é saber como manter a aparência diante das câmeras, onde o esforço para parecer simpático chega ao nível do patético, realmente a produção tem razão: a Mole não é cachorro (pelo menos não simplesmente um cachorro). Diante dos brothers, ela é o que mais se aproxima de um ser humano na casa, pelo menos me parece ser o único ser pensante.

sexta-feira, fevereiro 01, 2002

TEMPO, TEMPO, TEMPO...

Já perto do fim de "E sua mãe também", Luisa (Maribel Verdu) pergunta aos amigos Tenoch (Diego Luna) e Julio (Gael Garcia Bernal): "Às vezes, vocês não têm vontade de viver para sempre?". Os dois permanecem quietos, fitando o horizonte em uma praia maravilhosa de algum canto do México. O filme continua e a questão fica sem resposta.

Eu saí do cinema com aquela pergunta perturbando a minha cabeça. E até hoje não consegui chegar a uma conclusão. Haveria vantagem em se viver para sempre? O que de tão maravilhoso teria nisso para compensar ter que conviver com a perda dos amigos, dos parentes, dos sentidos... Talvez a capacidade de recomeçar sempre. Talvez a certeza de que ainda haveria tempo para consertar um erro ou digerir uma injustiça.

Mas viver para sempre teria inconvenientes insuportáveis. O principal deles seria o fim do medo, ou pelo menos do nosso maior medo, o da morte. Claro que todos continuaríamos com medo de perder nosso grande amor, de não conseguir dinheiro, de ver um filho adoecer, mas o medo da morte, aquele que nos faz pensar três vezes antes de assumir o risco, acabaria. O medo da morte, que muitas vezes buscamos, desafiamos, não haveria mais. Com isso, suponho, metade da graça da vida acabaria.

Acho que agora eu já posso responder: não Luisa, eu não gostaria de viver para sempre. Quero viver o suficiente para aprender a ser mais paciente, para ver beleza onde não enxergamos, para dar importância ao que realmente é vital para mim, para fazer novos e maravilhosos amigos. O suficiente para descobrir amigos antigos em pessoas que acabamos de conhecer, ou que ainda nem conhecemos, mas com as quais já descobrimos afinidades. Quero vida suficiente para aprender a viver. E para deixar na vida, depois que ela tiver me deixado, uma impressão forte, uma história, mesmo que cheia de erros, mas a minha história.